COMO TORNAR O BRASIL INTELIGENTE EM UMA DÉCADA?

O maior problema do Brasil é a educação, sem sombra de dúvidas. E o maior problema da educação brasileira é a falta de leitura e, consequentemente, de cultura. Raramente se encontrará um brasileiro integralmente educado. De nada adianta trazer sofisticadas tecnologias para serem manuseadas por mentes pobres ou meramente técnicas. Um exemplo disso é a maneira primitiva como opera o judiciário nacional com seus "ofícios" em plena era da informática. Um juíz pergunta a um banco no Rio de Janeiro quanto tem em tal conta, o banco leva quinze dias pra responder. Reparem que tecnologia já existe. O que não existe é um povo preparado para mudar nada; sem cultura, o homem só pensa em seu próprio horizonte estreito. A proposta desse trabalho é bem concreta. O custo é baixo e não há o que se errar. Trata-se de aumentar significativamente o número de leitores per capita do país, atualmente em 1,8 por cento segundo dados oficiais. Eu creio até que seja menos. Raramente Você vê o brasileiro com um livro nas mãos. Ele perde tempo nas repartições públicas em filas intermináveis olhando para o teto ou para o nada, quando poderia estar adquirindo conhecimento ou usufruindo o prazer de uma boa ficção. No Brasil, só um projeto é viável: mudar o povo. A melhor lei do mundo, a maior tecnologia que se tenha não desenvolve um país nem o ordena. Somente mudando a estrutura das mentes que virão é que se pode pensar num bom país no futuro. "A terra" como se diz é boa, o povo atual porém é inviável. E como se formar o habito universal da leitura? Tem que se estabelecer metas e cumpri-las.

 

 





 

 

 

 

 

A FALÊNCIA HUMANA DO BRASIL _ Caso Eloá
 
Marcelino Rodriguez
 
Há dias venho pensando sobre o desenrolar do caso Eloa  e o que penso resumidamente do assunto e o que pude constatar foi que no Brasil somos todos algozes e vitimas. O que tinha ali de fato é uma metáfora de uma educação falida e uma subcultura em que é "mais importante ser feliz do que ter responsabilidade". Ou seja, ser feliz de qualquer jeito. Como se esse mundo que meteu Cristo na cruz fosse uma espécie de Paraíso perdido. Hoje é muito difícil encontrar uma Virgem de quinze anos. No Brasil "aprende-se" a transar antes das primeiras letras. Você olha a seu redor, mas nem imagina que está diante de uma população que não lê nem jornal e sabe de tudo, falando pelos cotovelos. Outro dia um ator venenoso disse que o brasileiro é educado pelo Tom Cavalcanti.
Se eu fosse educar uma moça hoje eu diria logo, depois que ela já soubesse lavar, passar e cozinhar , evidentemente, já que sexo a televisão e a internet deixa todo mundo PHD no lado físico, mas no emocional é dificil aguentar uma moça que não sabe juntar causa e efeito de nada de coisa nenhuma, por melhor traseiro  que tenha. Namorar só depois que você responder por seus atos , ou seja, aos dezoito anos, com ensino médio completo pra que caso você me arrume um neto sem marido você o possa bancar. Duro isso? Machismo? Bem, ao menos as moças que são educadas nesse sistema são muito mais cultas, profundas e interessantes, além de saber fazer comida. Ou seja, são "integrais". Agora se dá as meninas primeiro as camisinhas , depois um volume de Caras pra elas lerem. Temos o fim das "famílias". Pois um homem ingênuo que quiser uma moça que já teve "10" namorados e nenhum serviu , quem servirá? Relacionamentos viraram "curtição" só que as consequências disso são trágicas.  Ali tinhamos um jovem transtornado , articulando meia dúzias de lugares comuns do pensamento médio "sou o cara", "sou o Principe" e hasteando a bandeira de um clube como se isso fosse algo "grandioso". Na cabeça do brasileiro o futebol é algo como a segunda pessoa da Trindade. Do lado de fora uma polícia com nenhum equipamento dos mais modernos tais como  (escutas, cameras camufladas, etc) e uma cultura de "não matar" a não ser em último caso; o que, a meu ver, está certo, pois o primeiro valor deve ser a vida humana. Um amigo meu policial disse que em Israel e na China em casos semelhantes a policia matou logo sem dó nem piedade. O problema é que em Israel e na China, o Estado pune, mas dá condições a seus cidadãos; aqui ninguém sabe de onde veio, nem o que tá fazendo aqui nem pra onde vai. Estamos á deriva. Como o importante é se feliz (e não responsável) ninguém se esforça pra nada. O que vale é gozar "o momento". Então como o mundo é uma falsa propaganda do diabo, quando o jovem dá de cara com a real (amores de imaturos nunca são eternos e não vão dar em nada a não ser em netos antes do tempo) vimos e vemos o que vimos: uma tragédia patética e sem sentido com a midía noticiando em tempo real e elevadíssimo ibope. No interior da Paraiba o pai completamente ausente condena o filho preso. E a jovem Eloa morreu sem jamais saber direito quem foi Dante Aliguieri ou Euclides da Cunha. Um escreveu o "Inferno", o Outro "os Sertões". O Brasil é uma espécie de Sertões  dos Infernos no meio da civilização mundial.  Dois por cento dos brasileiros sabem de quem tou falando. Nem os professores sabem direito. O importante é dar camisinha aos jovens; livros não dão "Ibope". O melhor é o Aeroporto, ou se desligar a Televisão, veremos mais e mais coisas. O País está humanamente bisonho, pra dizer o mínimo.

 

POEMA A SÃO MIGUEL ARCANJO
 
Marcelino Rodriguez

Agora que vem a noite e estou só, meu anjo,
Que seria de mim se não fosse olhar por teus olhos e erguer-me por tuas asas?
Na terra triste dos homens ,muitas vezes,
Vem o desalento de quem ama e traz sonhos celestes pra plantar. Proteja-me, Arcanjo,
A travessia de trem, de avião e dos amores.
Proteja-me os bens e o corpo, para a Glõria
da Bondade. Sim, amigo, sem ti seria impossível
esse divino fogo solitário na tarde que cai, na noite que chega, na mais funda madrugada e na manhã. Saber de ti me faz menos só e mais puro.
Trazes-me recordação que as trevas e a inveja
merecem compaixão e desprezo; que o altíssimo
preza nos seus filhos a digna e brava postura
de quem nasceu para servir ao amor, à luz e à alegria. Te digo que sou grato pois amigo
por tua presença que transfigura a terra em céu
e lava-me os pecados, e abençôa-me as boas
paixões. E que sou apenas uma criança do universo
com direito a brincar de pisca pisca com as estrelas. Então, meu amigo, sob a lei da tua espada e o explendor de suas asas, conceda-me a graça de ser feliz em qualquer pedaço de crepúsculo, mesmo quando a fumaça negra das cidades humanas carentes de amor e generosidade
me deixarem na solidão feroz de qualquer exílio.
Porque sei que me amas. Por que sabes que me tens. Guarda-me. Proteja-me. Guia-me.
Que eu aceite a vitória e a paz,
Que eu aceite a esperança de cada dia,
Que eu ande em humildade e amor, mas de cabeça erguida.
E que eu não esqueça nada. Nem os sonhos.
Nem as altas montanhas.
Nem as lágrimas que choramos solitários ao final
dos filmes, ou as horas que passamos juntos
brincando com a velha caxinha de música de minha
mãe e tu me olhavas de dentro do espelho.
Obrigado Arcanjo, amigo. Boa Noite.

P.S - Gostaria que comentassem esse texto, pois penso fazer um milheiro com a oração.

Texto do livro Bom Dia, Espanha! 1 Edição em 2005.  

Para adquirir o livro basta depositar 15,00 na agência 0265-8, conta 26452-0 , conta poupança Banco do Brasil e confirmar depósito ao autor em marcelinovips@hotmail.com  que o livro será enviado com dedicatória.

 

Bom Dia, Espanha!



Hoje acordei pensando em fazer um poema sobre como forçar-se, por uma questao de sobrevivência, a ter esperanças. Caminhava pela rua Javier Dias, numa provincia qualquer da Argentina. As barbas por fazer, a pouca vontade de tomar banho, o dinheiro acabando em parte, outra parte na mao de terceiros sem responsabilidade.
Praticamente sem vìnculos de afeto familiar, tornando-me aos poucos um cètico no que se diz amor entre os humanos, hìbrido de dois passaportes, sofrendo a risada cìnica das pessoas quando digo que sou escritor, com intençoes blasfematórias contra Deus, que nao me deu absolutamente nada que fosse duradouro ou valesse a pena. Aqui onde estou e donde sai, ningue`m que tenha lido Rimbaud ou se emocionado com a tragica vida de Van Gogh. Estou so`, verdadeiramente.
E pensava fazer um poema "eu te forçarei, esperança".
Meu mundo nao tem paralelas.
Às vezes dòi o sentimento de inutilidade.
Tornei-me praticamente invìsivel de alma. Talvez esteja vivendo para os sèculos futuros, ou para nada. Talvez eu seja realmente muito pequeno, insignificante e nao mereça mais do que tenho -´sequer um canto para envergonhar-me sem que ninguèm me veja. Estou exposto. Se continua assim logo estarei pedindo as gentes: - "posso viver"? .
Manha cinzenta. Sem sol, sem vento, sem chuva.
Debruço-me sobre o correo eletronico e vou lendo a tristeza das gentes de todo o mundo sobre o atentado sobre os trens em Madri. Em algum momento, arrepio-me.
Eu sou Espanhol. E`linda a Espanha e dòi-me.
A Espanha è minha, mas por que està tão distante? Por que tudo està tão distante?
A verdade e`que estou confuso, chorei um pouco. Perdoem-me. Ainda sou capaz de sentir e parece que neste cavalo eu vou sozinho (talvez por uma razao cínica) inventar a esperança. Morrer por isso. Melhor que por nada.
Bom Dia, Espanha! Resistiremos.
11.03.2004

Texto escrito em Córdoba, Argentina, quando houve os atentados em Madri.

 

My Sweet Lord

Marcelino Rodriguez do livro Bom Dia, Espanha!

Em meados dos anos sessenta, um navio trazia da
India um senhor que viria ao ocidente,
mais precisamente para Nova Yorque (EUA),
cumprir uma missão sagrada:pregar o culto ao
Deus Krishna,como ele chamava seu senhor. Cultuava-se o
Deus basicamente cantando, abstendo-se de carne e dos prazeres sensuais. Isso tudo no mais materialista talvez, dos páises, e no tempo dos hippies.
Vinha so´e com pouco dinheiro, enjoando no navio...
Com alguns livros, sua roupa e hábitos exóticos,
vinha chegando
ao ocidente, tenaz e doce. Vinha ensinar todos a
libertarem-se
do materialismo e do sofrimento. Morou em quartos
minúsculos,
passou solidão e algumas privações, mais aos poucos ia ganhando
terreno, com seu carisma e simpatia. Todo tipo vinha beber de seus
ensiamentos: drogados, hippies, comerciantes, judeus,
misticos, músicos, escritores, artistas.
Era um mestre puro, direto e incisivo.
Um transcendentalista. libertem a mente... liberem-se
do ciclo de sofrimento... não comam carne... cantem...
rendam-se a Krishna.
E foi se tornando célebre, expandindo seu Senhor...
Um dia cruzei com um de seus adeptos que vendia incenso
na Avenida Rio Branco. Perguntei-lhe:
- Voce não sente falta das coisas do mundo? Mulheres?
Respondeu-me o jovem seguidor de Krisna, matreiro:
" O mundo e´como uma bela mansão. So´que esta´pegando
fogo. O último a sair, fecha a porta e apaga a luz."
São assim os filhos de Krishna.
E ao doce Senhor rendeu-se George Harrison, um dos
beatles, com sua imortal canção "My Sweet Lord".
Era apenas um senhor indiano, revelando
o nome de seu Deus. Era apenas um doce senhor.

11.11.2004

Outro texto do livro Bom Dia, Espanha!

 

         A DEVASSA DE MEL

Marcelino Rodriguez

Verdade que ela quase acabou com ele. Verdade. Até hoje ele anda nostálgico e sequelado daquele amor trágico e doce como o inferno. Verdade que ela fútil foi-se embora um dia, deixando-o desolado. Mas também é verdade que ela deu-se a ele por inteiro, sem sonegar pés, nem mãos, nem dedos. Ele conheceu cada palmo daquele corpo, a ponto de marcá-la. "Olha só, como vou sair na rua agora?" Ela dizia, fazendo-se de irritada. Tudo nela muitas vezes parecia ter duplo sentido. O sorriso ingênuo e o humor diabólico. Narcisismo e sadismo. Aquela complicação toda dentro de um corpo branco, rosa e perfeito. Hoje ao lembrar dela, chama-a ,"a devassa" , num mixto de irônia e orgulho. Mas uma coisa ela fez de bom a ele, entre outras... tornou-o orgulhoso. Não é qualquer mulherzinha cheia de melindres , caprichos ou desatenção que o fere. Ele teve, ao que lhe parece, a melhor de todas. E hoje em dia diverte-se com o que restou das mulheres.  E dele. A Devassa de Mel o livrou de dar valor a qualquer perfume ou de envenenar-se com uma qualquer.

Direitos Reservados

 DO FUNDO DO TEMPO

Por Marcelino Rodriguez

A voz e a figura de Taiguara atingem-me via
correo eletrônico, parecendo vir de um passado
remoto, entranhado, porém, nos ossos e sangue
da minha afetividade!
a mensagem veio pelo seu fã-clube,
criado e administrado por suas filhas.
A tecnologia unindo, enfim,
dois companheiros separados pelo tempo.
Lembro-me de, menino, emocionar-me sempre
que ouvia "Hoje" ou "Universo do teu corpo".
Era um momento mágico.
"Esse e´o cara que me entende", pensava.
Mais tarde, descobri nele elementos de humanidade
e civismo que mais me surpreenderam,
pela indentiicação da sensibilidade e das idéias!
Era um grande companheiro,
Taiguara! um homem raro!
Ouvindo-o hoje sinto um pouco de tristeza,
porque o futuro que ele sonhou não amanheceu
no mundo, nem as crianças cantam livres
sobre os muros, ensinado os homens a amar sem
dores!
Sinto que perdemos, amigo! Olho para os homens
todos pensando para si, dispersados, alienados,
sombrios.
E, no entanto, quero tocar a mão e alcançar-te.
Olhas-me, do computador, e quase sinto sua presença...
Não existe, amigo, o mundo que sonhamos! Esse mundo
e´so´nosso, privilégio dos exilados! Que me dirias
do deserto de aço de hoje? Do conglomerado de
egoísmos? Da mediocridade quase absoluta?
Não sei, amigo, o que dizer-te...
Agora vejo-te em tuas filhas bonitas, morenas,
filhas do continente...
Ainda com residência na terra, amigo, nós os que
ficamos, cabe-nos resgatar em tua memória as
lições
de civilidade, fraternidade e beleza!
Em mim és histórico como as rochas!

23.11.2004

 Texto do livro  Bom Dia, Espanha

ENTREVISTA NO SITE RESENHANDO


"A leitura é vital para o indivíduo e para os povos. Um povo sem leitura é um povo subjugado." - Marcelino Rodriguez

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em abril de 2005



Marcelino Rodriguez, é um escritor hispano-brasileiro, de 38 anos. Poeta e escritor desde a adolescência, publicou o primeiro poema em 1986, na Shogun Arte editora, do casal Paulo Coelho e Cristina Oiticica.

Em 1996, lançou o livro de crônicas o “Observador de Pardais” e estréia como cronista. Na seqüência foram os títulos: "O Espião de Jesus Cristo" 1999, "Juvenília" 2000, "Café Brasil" 2001, "A Ilha" 2001, "Boneco de Deus" 2002, "Mar, Romântico Mar" 2002, prêmio Pérgula Literária Internacional e Ação Cultural.

Em 2000 tornou-se editor da Luz do Milênio Editora. Em janeiro de 2004 viajou e residiu na Argentina por dois meses. Portador de dupla nacionalidade, esse é Marcelino, um hispano-brasileiro.



RESENHANDO - Qual o sentimento de ter um livro publicado?
MARCELINO - Bem, eu sempre editei de forma independente, por editoras cooperativadas, em que o autor paga a edição. Meu primeiro livro solo foi em 1996, O Observador de Pardais. Em 2000, fundei a Luz do Milênio Editora e passei a usar sua chancela. Mas as grandes editoras ainda não tive muita paciência de ficar esperando. Preciso produzir para sobreviver física e psicologicamente. Não é preciso dizer, acho, que escritor sofre um bocado até poder andar sobre as palmeiras...


RESENHANDO - Há quanto tempo está produzindo esta obra?
MARCELINO – Boa pergunta. Em Janeiro de 2004, não tendo condições nem financeiras nem morais de permanecer no Brasil naquele momento, oficializei minha cidadania espanhola e fui para a Argentina, Córdoba. Alguns textos, escrevi ainda no Brasil e se pode perceber o exílio e a solidão do período no ano de 2003. Com os textos escritos na Argentina e mais os que escrevi ao retornar, em março de 2004 até fevereiro desse ano, posso dizer que foram dois anos de tempo convencional. Bom Dia, Espanha! é meu livro mais importante, mais lúcido, onde assumo de forma obstinada minha hispanidade, mais ainda do que a condição européia, porque a língua e os costumes de Espanha estão em toda a outra parte da América-Latina. Inicialmente , em 2001, programei uma
viagem a Cuba que acabou não saindo. Em 2004, enfim, cumpri o destino que estava no sangue e tive que me acertar com o espanhol que há em mim. A Argentina foi uma revelação. Hoje, compreendo que a verdadeira cidadania é sanguínea, pois não importa a terra em que vamos nascer. Importa antes essa que temos geneticamente e vai nos dar o corpo, elementos psicológicos, insights ancestrais, etc. Demorei muito tempo para perceber o óbvio. Ou seja, que eu sou um híbrido. Em qualquer país de língua espanhola sinto-me em casa. Uma colega ítalo-boliviana, descreveu sua condição de híbrida da seguinte maneira: "Não me sinto nem completamente
italiana nem completamente boliviana. Me sinto um ser híbrido, cidadã do mundo, estrangeira em toda parte". Na verdade, nós híbridos somos muito sensíveis. Essa obra então, finalizando, posso dizer que foi uma obra de revelação de vida. Assim que nasci com ela e por ela.


RESENHANDO - Fale sobre o livro que escreveu.
MARCELINO – É um livro autoral que acaba sendo universal pelos acontecimentos em Madri e pelo arquétipo de um artista perdido em busca de um porto e de um filho de imigrante buscando uma pátria.


RESENHANDO - Qual o estilo da sua obra? Porque?
MARCELINO – Minha obra é autoral, na maioria das vezes. Muitas vezes foi autobiográfica. Até ingenuamente de minha parte. Um livro de poesia em que há grandes momentos... É uma obra que tem lampejos, muita sensibilidade, humor, muita vida... Para o que a vida me deu como infra-estrutura e a maneira precária da troca cultural no Brasil, posso dizer que fui muitas vezes heróico. Espero daqui por diante com mais recursos e reconhecimento, com mais apoio, ter mais zelo com minha literatura.


RESENHANDO - Como e quando começou a escrever? O que escrevia? Por que?
MARCELINO - Comecei na adolescência, por volta dos 17, 18 anos escrevia poesia basicamente. Aliás, virei escritor além de poeta porque percebi que não sobreviveria com lirismo apenas. Quem me abriu as portas da revelação foi meu colega Jose Enokibara, um poeta independente muito bom. Pouco divulgado, infelizmente. A partir de lê-lo, descobri que era poeta. Foi meu primeiro ídolo.



RESENHANDO - Quais as dificuldades encontradas para publicar a primeira obra?
MARCELINO - Se o autor tiver algum dinheiro, ele pode pagar a edição como fazem quase todos os escritores. Sem essa condição, ele terá que tentar o mercado convencional que é pedreira. Mas a regra quase geral é o início alternativo e independente.


RESENHANDO - Para ler, qual o seu estilo preferido?
MARCELINO - Eu escrevi uma crônica sobre o Nilton Bonder em que falo que meu conceito de literatura seria a arte de interpretar O absoluto via palavras. Sendo assim, gosto dos leitores metafísicos, místicos, autores, que além do lado estético me tragam mais conhecimento. Na verdade, a condição espiritual da vida é que sempre busquei entender. Acho que todo livro deve acrescentar algo na alma do leitor. Meu estilo preferido são relatos das descobertas que os autores fazem com a alma. "Gosto de livros escritos com sangue", dizia Niesztche. É por ai.


RESENHANDO - Há alguma obra em especial que tenha marcado um momento importante da sua vida? Qual? Por que?
MARCELINO - Sim. Claro. Shopenhauer, com As Dores do Mundo, Niesztche com Assim Falou Zaratustra, na adolescência, mais tarde um pouco, Fernando Pessoa, Paulo Coelho com o Diário de um Mago e Nilton Bonder com Portais Secretos, livro que li seis vezes. Foram obras que me mudaram.


RESENHANDO - Na sua opinião, há interferência entre o que o escritor vive com o que escreve? Porque?
MARCELINO - Entendo que sim. Todo livro é, em algum nível, autobiográfico.

RESENHANDO - Na sua opinião é real o incentivo à leitura que tanto se comenta? O que acha da ação concreta do governo federal sobre a lei que desonerou o livro do PIS/Confins?
MARCELINO - Não. É demagógico “os incentivos”. Tanto assim que não há programas televisivos que abordem a questão da informação e cidadania. A leitura é vital para o indivíduo e para os povos. Um povo sem leitura é um povo subjugado. Deve-se trabalhar no ensino fundamental e no médio. Principalmente. A leitura forma cidadãos e valores. O jovem chega no Brasil as universidades sem nenhum senso de cidadania e patriotismo, então vemos juizes, médicos, advogados e outros seres de ”nivel superior”, sem um mínimo caráter. Quanto a lei , é boa. A questão é ver se vai funcionar.


RESENHANDO - Que nomes da literatura lhe influenciaram na escrita?
MARCELINO - Muita gente. Jorge Amado. Jorge Luis Borges. Fernando Pessoa. Drummond. Cecília Meirelles. Mário Quintana. Paulo Coelho. Nilton Bonder. Os cronistas. Etc.


RESENHANDO - Você acha que o avanço tecnológico, como por exemplo, o computador e a internet, estão afastando as pessoas dos livros?
MARCELINO - Não. Pelo contrário. Está fazendo as pessoas escreverem, se comunicarem através de blogs. A internet pra mim, é a maior invenção humana.


RESENHANDO - Qual a importância do incentivo à leitura para o público infantil?
MARCELINO - Vital. Não dar livros as crianças é um crime ideológico contra a natureza humana.


RESENHANDO - O que a literatura representa em sua vida?
MARCELINO - Parte substancial da minha vida, já que vivo de acordo com minhas idéias.


RESENHANDO - Quais as suas perspectivas no universo editorial?
MARCELINO - Ter garantida a minha sobrevivência como autor e contribuir com livros que tornem a vida mais leve. “Bom Dia, Espanha” já foi uma escolha estética.




PING-PONG:

Cidade que nasceu: Rio de Janeiro. Espanhol por ascendência paterna. Meu pai era da Galicia.
Ano de nascimento: 1966. Dia 27 de agosto – sob o signo de virgem.
Gosto de: Gente responsável.
Detesto: O oposto.
Vivo por: Modo espiritual. Penso sempre na questão da possível eternidade de tudo.
Meus escritores favoritos são: Nilton Bonder, Paulo Coelho, Gabriel Garcia Marques. Graciliano Ramos.
Escrevo por: Necessidade. Vocação.
Mensagem para o público que irá conferir a sua obra: Foi escrita com uma paixão nobre em que procurei sempre dar o melhor. Bom Dia, Espanha é a metáfora da minha condição humana.  (Essa entrevista foi publicada na integra no Livro Bom Dia, Espanha!)

Tango para Hermanita Laura

(À Laura Venslavicius )

Enquanto com a ternura ferida,
Meus pensamentos solitários, sangüíneos
Iam da Galicia a Havana,
Passando pela Argentina
Nas noites frias dos computadores,
Exilado das mãos humana nos cyber-cafes,
Recebendo dos jornais as mais sombrias noticias
Da terra – tua asa portenha me encontrava
Por esses dias que fugiam
Um após outro, como pássaros emigrantes.
Fizeste comigo a alada crônica da amizade,
Esse poema de força infinita.
Com teus passos, desde então vens
Andando comigo, enquanto minha viagem prossegue
Nos gelos silenciosos das rodoviárias,
Nas minhas buscas de acertar o alvo
A cada dia errante peregrino
Persisto, deixando nos sonhos noturnos
O único descanso , no coração a esperança
Que um dia minhas palavras encontrarão
Eco no mundo, assim que andaremos
Límpidos e puros
Numa imortal caminhada na Plaza de Maio,
Com a tarde serena de Buenos Aires
Ao odor de café que emanara´ das vitrines...
Um dia não mais haverá apenas chão, distância, medo.
Um dia como crianças, nos veremos.
E do sudeste do Brasil, te saudo este tango profético!
E riremos juntos de Don Quixote, Don Juan e dos mitos melancólicos.
E retornarão os dias de ternura, rodeado de palomas

BLOG LITERÁRIO Marcelino Rodriguez

 Marcelino Rodriguez

Escritor hispano-brasileiro, autor de "O Observador de Pardais", 1996; "O Espião de Jesus Cristo", 1999; "Juvenília", 2000; "A Ilha", 2001; "Café Brasil", 2001; "Boneco de Deus", 2002; " Mar Romântico, Mar", 2002; " Bom Dia, Espanha!", 2005. Prêmio Pérgula Literária Internacional, Medalha Ação Cultural e Troféu Dez Mais Taba Cultural Editora. Em 2004 o autor viveu em Córdoba, Argentina entre Janeiro e Março. Em maio de 2005 sai Bom Dia, Espanha! livro que relata essa experiência. O autor é uma das maiores revelações da atual literatura.

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